Tendo em conta o ponto 2 das Normas de Participação da “IV Edição do Orçamento Participativo de Guimarães – Ano de 2016” (OP2016), a presente proposta insere-se na área de Sustentabilidade Ambiental a executar na freguesia de Prazins Santa Eufémia (ver mapas em Anexo_OP16_CMRV).
Esta proposta reveste-se de grande importância tendo em conta a aposta do Executivo Municipal em tornar Guimarães um território sustentável ao nível ambiental e energético, bem como a candidatura assumida de Guimarães a Capital Verde Europeia. A freguesia de Prazins Santa Eufémia assume-se como uma freguesia de cariz rural com grande parte do seu território pertencente a Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN), enquadrada na bacia hidrográfica do Ave, constituindo assim um território único e ainda bem preservado que importa preservar (ver Figura 1 em Anexo_OP16_CMRV). Sendo o ecossistema ribeirinho maioritariamente constituído por áreas de máxima infiltração, em grande percentagem potencialmente inundável, é um terreno com bastante susceptibilidade e que pode ser gravemente fragilizado caso não se intervenha com acções concretas e pedagógicas que fomentem e potenciem a sua preservação. Além disso, este ecossistema inclui elementos únicos etnográficos que preservados podem ser um pólo de atractividade e de potencial turístico-pedagógico, de lazer e económico. Nesta área, associado ao rio e ribeiros, temos por exemplo moinhos antigos movidos a água, que a maioria já se encontram abandonados. Não é também de descorar toda a biodiversidade associada a este ecossistema, que muitas vezes é destruído ou ameaçado. As áreas agrícolas adjacentes são normalmente bastante produtivas e existem já interessantes projectos de vitalidade desencadeados por jovens agricultores.
Dentro deste contexto, propomos construir um percurso pedestre/ciclável circular em Prazins Santa Eufémia usando caminhos e terrenos públicos que abranja diferentes ecossistemas, desde o florestal ao agrícola, passando pelo ribeirinho (ver Figura 2 em Anexo_OP16_CMRV). O percurso circular situar-se-á na zona nascente da freguesia perto dos lugares da Lage e da Subida até à Quinta de Cima de Vila. Parte do trajeto desenvolve-se ao longo da parte nascente do ribeiro que atravessa a freguesia, sobe a rua António Fernandes Lima até ao monte da Lage, e continua pela rua 24 de Junho passando por Cima de Vila até à nascente do ribeiro, percurso circular este com uma extensão de cerca de 1,7 Km (ver Figuras 3 do Anexo_OP16_CMRV). No pequeno percurso ao longo da estrada municipal nº 583, a construção de uma solução para proteção dos peões (como por exemplo um passeio) será de vital importante. No restante percurso, sempre que o caminho/estrada não tiver em condições, uma faixa de cerca de 2 m de largura será coberta por um pavimento permeável, do tipo "tout-benant" e/ou paralelo, que permita o pedestrianismo e o ciclismo. O percurso poderá e deverá ser iluminado com energia de fontes renováveis, recorrendo a painéis solares e/ou mecanismos de geração pela força gravítica da água do ribeiro (por exemplo, promovendo a revitalização do moinho aí existente). Em determinados locais do ribeiro poder-se-á construir pequenas represas para criar espelhos de água e charcos de modo a dinamizar o lazer e a biodiversidade. Sempre que possível, serão plantadas árvores da flora autóctone: por exemplo o carvalho, o sobreiro, o azevinho, o loureiro, etc., no caso do ecossistema florestal; por exemplo salgueiros, amieiros, freixos, sabugueiros, etc., no caso do ecossistema ribeirinho.
Num local apropriado a determinar (por exemplo junto ao ribeiro, ou junto ao monte da Lage – ver círculos vermelhos na Fig. 3 do Anexo_OP16_CMRV) deverão ser colocadas algumas máquinas de manutenção próprias para locais públicos exteriores.
Este percurso circular “Ribeira Verde” poderá no futuro ser ligado a outras áreas lúdicas existentes nas imediações (como por exemplo o parque dos escuteiros de Prazins Santo Tirso), ou fazer parte de percursos pedestres a promover no concelho, fomentando deste modo a integração de outras valências das várias freguesias (ver Fig. 4 do Anexo_OP16_CMRV).
Um exemplo de um percurso semelhante ao proposto foi recentemente construído em Caldelas – Amares (ver Figura 5 em Anexo_OP16_CMRV).
O percurso “Ribeira Verde” deverá ser usado pelas comunidades locais para fazerem exercício físico ou apenas para relaxarem junto às margens do pequeno ribeiro num contexto de contacto com a natureza e com a comunidade agrícola local. Dentro do espírito promovido pelo Executivo Municipal em tornar Guimarães uma referência na área do voluntariado e da solidariedade, tendo até em conta a candidatura do município a Capital Europeia do Voluntariado, todos os anos a junta de freguesia de Prazins Santa Eufémia deverá promover junto da comunidade local e em especial das associações da freguesia (desportivas, juvenis, escutista, paroquiais, etc.) o dia do voluntariado pela limpeza da Circuito de Manutenção “Ribeira Verde”. Este evento promoverá a manutenção deste activo público a um preço muito baixo ao mesmo tempo que estimula deveres cívicos de comunidade e de biosustentabilidade. A utilização deste percurso bem como a sua limpeza periódica prevenirá potenciais situações de inundações junto ao ribeiro devido à falta de limpeza do mesmo; bem como de incêndio junto às áreas florestais.
Para o atravessamento da rua Padre João Moreira Leite (na estrada municipal 583) em segurança, junto ao moinho aí existente no lugar da Subida, uma passadeira elevada (cerca de 10 cm) em paralelo (passadeira em lomba) deverá ser construída de modo a promover a proteção dos seus utilizadores.
Tendo em conta os materiais a utilizar na construção deste percurso, a verba necessária não será muito alta e será compatível com o orçamento máximo disponível para cada ação neste OP2016. A verba mais significativa será nos mecanismos de iluminação por energia verde, mas caso não seja totalmente coberta poderá ser adicionada em fases subsequentes.