Tendo em conta o ponto 2 das Normas de Participação da “III Edição do Orçamento Participativo de Guimarães – Ano de 2015” (OP2015), a presente proposta insere-se na área de Sustentabilidade Ambiental a executar na freguesia de Prazins Santa Eufémia (ver mapas em Anexo_OP15_PSE_RV).
Esta proposta reveste-se de grande importância tendo em conta a aposta do Executivo Municipal em tornar Guimarães um território sustentável ao nível ambiental e energético e a candidatura tornada pública de Guimarães a Capital Verde Europeia. A bacia hidrográfica do Ave entre os campos de futebol de Souto/Santo Estêvão e o Parque de Taipas/Ponte, abrangendo maioritariamente Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN) constituem um território único e ainda bem preservado de cariz rural que importa preservar (ver Figura 1 em Anexo_OP15_PSE_RV). Sendo um ecossistema ribeirinho maioritariamente constituído por áreas de máxima infiltração, em grande percentagem potencialmente inundável, é um terreno com bastante susceptibilidade e que pode ser gravemente fragilizado caso não se intervenha com acções concretas e pedagógicas que fomentem e potenciem a sua preservação. Além disso, este ecossistema inclui elementos únicos etnográficos que preservados podem ser um pólo de atractividade e de potencial turístico-pedagógico, de lazer e económico. Nesta área, associado ao rio e ribeiros, temos moinhos antigos movidos a água, levadas, ilhas, e praias fluviais. Não é também de descorar toda a biodiversidade ainda existente associada a este ecossistema bem como a área agrícola bastante produtiva e com interessantes projectos de vitalidade desencadeados por jovens agricultores.
Dentro deste contexto, propomos construir um percurso pedestre/ciclável em Prazins Santa Eufémia ao longo do ribeiro que atravessa a freguesia desde o extremo Este (nascente) até à foz (rio Ave), numa extensão de cerca de 2 Km (ver Figuras 2 a 5 em Anexo_OP15_PSE_RV). Numa faixa de cerca de 2 m de largura ao longo de uma das margens do ribeiro, parte desta área seria coberta por um pavimento permeável, do tipo "tout-benant" e/ou paralelo, que permitisse o pedestrianismo e o ciclismo. Ainda nesta fase , junto à foz do ribeiro, propõe-se uma ligação deste percurso à ponte sobre o rio Ave entre Prazins e Barco numa extensão de cerca de 500 m (ver Figuras 2 e 6 em Anexo_OP15_PSE_RV) e revitaliza-se o areal aí existente para a prática balnear e lúdica, promovendo assim a ligação à praia fluvial de Barco. Numa segunda fase, dentro de um projecto mais abrangente e ambicioso este percurso pedestre/ciclável poderia ser ligado ao parque de Taipas/Ponte ao longo das margens do rio Ave. O percurso poderá e deverá ser iluminado com energia de fontes renováveis, recorrendo a painéis solares e/ou mecanismos de geração pela força gravítica da água no ribeiro (por exemplo, promovendo a revitalização do moinho aí existente). Em determinados locais do ribeiro construíam-se pequenas represas para criar espelhos de água e charcos de modo a dinamizar o lazer e a biodiversidade. Sempre que possível, plantavam-se árvores da flora autóctone e ribeirinha, como sendo salgueiros, amieiros, freixos, sabugueiros, etc. Um exemplo de um percurso semelhante ao proposto foi recentemente construído em Caldelas – Amares (ver Figura 7 em Anexo_OP15_PSE_RV).
O percurso “Ribeira Verde” seria usado pelas comunidades locais para fazerem exercício físico ou apenas para relaxarem junto às margens do pequeno ribeiro num contexto de contacto com a natureza e com a comunidade agrícola local. Dentro do espírito promovido pelo Executivo Municipal em tornar Guimarães uma referência na área do voluntariado e da solidariedade, tendo até em conta a candidatura do município a Capital Europeia do Voluntariado, todos os anos a junta de freguesia de Prazins Santa Eufémia deverá promover junto da comunidade local e em especial das associações da freguesia (desportivas, juvenis, escutista, paroquiais, etc.) o dia do voluntariado pela limpeza da “Ribeira Verde”. Este evento promoverá a manutenção deste activo público a um preço muito baixo ao mesmo tempo que impulsiona deveres cívicos de comunidade e de biosustentabilidade. A utilização deste percurso bem como a sua limpeza periódica preveniria situações de inundações devido à falta de limpeza do mesmo.
Este percurso da “Ribeira Verde” usará terrenos privados, mas apenas ao longo de uma estreita faixa nos limites dos terrenos, junto à zona ribeirinha de proteção especial e de interesse público. Penso que desde que se salvaguarde as suas culturas com mecanismos de proteção física (por exemplo com barreiras de madeira - ver Figura 7 em Anexo_OP15_PSE_RV) e se promovesse, como sugerido, de forma sistemática a limpeza do percurso e ribeiro, não haverá a oposição dos proprietários, e teremos até o seu envolvimento. O atravessamento de ruas ao longo do percurso será feito por passadeiras elevadas (cerca de 10 cm) em paralelo (passadeira em lomba) de modo a promover a segurança dos seus utilizadores.
Tendo em conta os materiais a utilizar na construção deste percurso, a verba necessária não será muito alta e será compatível com o orçamento máximo disponível para cada ação neste OP2015. A verba mais significativa será nos mecanismos de iluminação por energia verde, mas caso não seja totalmente coberta poderá ser adicionada em fases subsequentes.