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(re)AGIR

Projeto (re)AGIR

 

O meu nome é Catarina Costa e sou a representante de um grupo de moradores do empreendimento social de Coradeiras, da freguesia de Fermentões, e da Casa do Povo de Fermentões. No âmbito do meu estágio curricular do Mestrado em Educação – Área de Especialização em Mediação Educacional e Supervisão na Formação da Universidade do Minho, a ser realizado na Casa do Povo de Fermentões, mais concretamente na valência do Gabinete de Atendimento e Acompanhamento Social, reuni alguns moradores do referido bairro com a finalidade de resolver alguns problemas que os mesmos detetam no bairro.

Numa dessas reuniões, foi delineado o projeto que apresento, no sentido de concorrermos ao Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Guimarães para tentarmos colmatar esta necessidade que a população sente.

 

Caracterização da população

O empreendimento social de Coradeiras conta com 98 habitações onde, maioritariamente, residem pessoas que foram deslocadas de outras freguesias e que habitavam em condições inadequadas.

As principais problemáticas identificadas neste território são: alcoolismo, toxicodependência, famílias numerosas, famílias com percursos de vida disfuncionais, população com perturbações do foro mental (ansiedade, depressão), desemprego, violência doméstica, absentismo e abandono escolar, população sem qualificação profissional, dificuldade de inserção social, ausência de competências sociais e pessoais.

Constata-se que as principais causas para a prevalência destas problemáticas se devem ao número crescente de população desempregada, por um lado devido às baixas qualificações e escolaridade e por outro por se tratar de desempregados de longa duração. Os constrangimentos a nível económico traduzem-se pela dificuldade em conseguirem gerir adequadamente um baixo orçamento, prevalecendo a satisfação das necessidades prioritárias e o pagamento de despesas fixas.

Por outro lado encontram-se famílias que, tendo sido realojadas, deixaram as suas raízes e confrontam-se com um novo território, novas vizinhanças, com dificuldades para se integrarem e estabelecerem uma rede informal que lhes permita algum conforto e segurança.

Os percursos desviantes são igualmente um problema significativo, não só motivados pela incerteza da situação socio-económica, mas também pela transmissão intergeracional de comportamentos e atitudes prejudiciais ao desenvolvimento psicossocial. Aqui incluem-se igualmente a não valorização do percurso escolar, práticas parentais inadequadas e a aprovação de estilos de vida passivos e sem se envolverem em práticas de cidadania ativa em prol da comunidade.

Um dado significativo e que traduz a situação socio-económica da freguesia são cerca de 70 famílias que atualmente beneficiam da medida do Rendimento Social de Inserção (RSI), medida de proteção social criada para apoiar as pessoas ou famílias que se encontrem em situação de grave carência económica e em risco de exclusão social. Estas famílias encontram-se em acompanhamento pelo Gabinete de Atendimento e Acompanhamento Social / Protocolo de RSI (GAAS) da Casa do Povo de Fermentões, constituído por uma equipa técnica multidisciplinar, responsável por informar, orientar, encaminhar, criar confiança, fornecer apoio social, interagir positivamente e realizar uma inclusão social. De igual forma pretende-se ativar as competências das famílias em acompanhamento e promover a mudança social através de iniciativas que fomentem a participação ativa da comunidade e da cidadania, na lógica da inclusão de todos.

 

Natureza do projeto

Este projeto tem como âmbito a intervenção comunitária e educação não formal, recorrendo à vertente socioeducativa para o auxílio das crianças e jovens. A Educação Não Formal pode ser definida como programas que podem ser executados dentro ou fora do sistema escolar “where structured nonschool educacional programs entailing formal instruction are offered as,for exemple, adult education, management training, remedial training, and retraining youth activities” (Paulston, citado por Palhares, 2007, pp. 2 - 3). Apresenta diversos ramos e especialidades, dos quais

“capacitação profissional para o primeiro emprego (…) orientação profissional e vocacional (…) complemento e apoio da educação formal (…) pedagogia do lazer em crianças e jovens (…) formação religiosa e espiritual (…) formação estética e artística (…) formação física e desportiva (…) Educação ambiental e ecológica (…) educação para a saúde (…) Educação cívica (…)” (Bernet, 1987, pp. 344 – 345).

 

Neste sentido, o (re)AGIR estaria orientado para a orientação profissional e vocacional, seria um complemento às aprendizagens que as crianças e jovens tivessem através da escola, ocupação de tempos livres através da pedagogia do lazer, da formação artística, da educação ambiental, ecológica, para a saúde e cívica.

Posto isto, o (re)AGIR tem como objetivos:

  • Promover o sucesso escolar;
  • Colmatar o absentismo e abandono escolar;
  • Contrariar a reprodução intergeracional da exclusão social;
  • Desenvolver competências de cidadania e estratégias de participação ativa;
  • Promover a ativação de competências pessoais e sociais.

 

Este projeto seria integrado na Casa do Povo de Fermentões, funcionando a vertente socioeducativa para as crianças e jovens do empreendimento social de Coradeiras num dos espaços desta instituição.

A necessidade da criação deste projeto surgiu de reuniões com algumas moradoras do bairro mencionado, tendo sido delineado o projeto apresentado, no sentido de concorrermos ao Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Guimarães para tentarmos colmatar a necessidade que esta população sente no auxílio às crianças e jovens. Como já foi mencionado, os adultos moradores do bairro apresentam uma baixa escolaridade e mostram grandes dificuldades em auxiliar os seus filhos nos seus estudos, o que poderá perpetuar a exclusão social sentida pelos seus pais. Neste sentido, os moradores consideram que se existisse uma sala onde as crianças pudessem estudar para os testes e realizarem os trabalhos de casa com ajuda de professores, seria uma mais-valia para estas crianças, auxiliando na diminuição do abandono e absentismo escolar e aumentando o sucesso escolar. Para que tal aconteça, pretende-se recorrer ao banco de voluntariado da Câmara Municipal de Guimarães, no sentido de proporcionar aos jovens licenciados em ensino da nossa cidade, uma experiência na área e, ao mesmo tempo, puderem ajudar aqueles que mais precisam – pois estes pais não têm condições para pagarem a um centro de estudos ou ATL.

 

Para além do apoio ao estudo, os moradores defendem a realização de atividades de tempos livres, onde através de atividades lúdicas as crianças adquirissem competências pessoais e sociais importantes para o seu futuro, abandonando as brincadeiras de rua, pois muitas vezes não têm bons exemplos de jovens mais velhos que lá estão. Neste sentido, o (re)AGIR seria um local das crianças e para as crianças, um local seguro onde estas aprendessem a ser melhores e tentam mudar a sua situação social, prosseguindo nos estudos. Estas atividades seriam dinamizadas por um animador socioeducativo que, para além destas funções, faria a gestão do projeto, como o planeamento, organização, execução e avaliação de diversas atividades de cariz educativo, social, cultural, artístico e desportivo, com vista à promoção da cidadania ativa, gestão dos voluntários, da garantia do sucesso escolar destas crianças monitorizando o seu trabalho com a escola para perceber qual a evolução do mesmo, garantindo igualmente que estas vão à escola e que realizam todas as tarefas necessárias para o desempenho escolar ideal, auxiliando e formando os pais no âmbito de educação parental e também tratava de problemas que pudessem surgir ao longo do percurso deste projeto, bem como estabelecimento de novas parcerias com as entidades locais.

 

Recursos Necessários a orçamentar pelo projeto:

-  Contratação da pessoa responsável por este espaço;

- Orçamento para os materiais necessários para a composição do espaço: computadores portáteis, lápis, canetas, cadernos, jogos, um quadro, um projetor, livros e outros materiais didáticos;

- Recursos com consumíveis (luz, água, telefone);

- Recursos com combustíveis (para visitas de estudo a locais de interesse, buscar as crianças aos bairros sempre que for necessário, entre outros que possam surgir);

- Aluguer de autocarros para visitas de estudo;

- Alimentação, sempre que necessário.

Ana Catarina Sousa Costa
15-05-2014
Freguesia de Fermentões

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