INTRODUÇÃO
As muralhas de Guimarães foram uma construção imponente. Este sistema defensivo dominou o burgo e pontuou a sua paisagem, durante mais de 5 séculos, metade da vida da nossa cidade.
As muralhas são uma metáfora do “umbiguismo” vimaranense tão voltado para dentro, concha que serviu para proteger a cidade e também para a fechar sobre si mesma, muitas vezes esganada pelo cabido da Colegiada e por um punhado de nobres, bastas vezes ausentes.
Foi necessário derrubar os seus muros para que o burgo, espartilhado, extravasasse o que o cingia e se desenvolvesse, com custos para o património.
Depois do Castelo ter sido bandeira de uma iconografia, por culpa do Estado Novo, os vimaranenses viram recuperado e resgatado seu centro histórico, reconhecido internacionalmente.
Mas o passante de agora, reduzido à contemplação de um troço de 250m do pano de muralha que subsistiu, não tem noção da sua real importância, da sua implantação e das suas magníficas torres.
O perímetro da cerca velha, com cerca de 500m, era pontuado a norte pelo castelo e a sul por dois torrilhões, “cubelos” maciços, com a mesma altura da muralha.
O perímetro da cerca nova, com cerca de 1.400m, era pontuado por 6 torres mais altas que a muralha, com dimensões comparáveis à Torre de menagem do castelo.
Foi necessário mobilizar mais de 35.000m3 de alvenaria de granito, correspondendo a 87.500ton.
A muralha tem sido vítima de verdadeiros atentados, mormente nos últimos 2 séculos que a mutilaram, entaiparam, derrubaram, adulteraram.
Urge devolver a muralha, a sua memória, o que se conserva e a sua fruição aos vimaranenses e visitantes!
PROPOSTA
Proposta para o Orçamento Participativo 2014 de Guimarães, dividida em dois pontos [veja-se também documento anexo]:
- Permitir a circulação pública no adarve (caminho de ronda, junto às ameias) no troço de muralha que subsiste (Av. Alberto Sampaio)
- “Desenhar” no pavimento a implantação e nome das Torres
Desenvolvendo a proposta, nos seus dois pontos:
- Permitir a circulação pública no adarve (caminho de ronda, junto às ameias) no troço de muralha que subsiste (Av. Alberto Sampaio)
A muralha não é mais hoje, no seu intradorso, que um “muro de vedação” que fecha terrenos da C. M. Guimarães (Convento de Sta. Clara), da Colegiada e do Museu Alberto Sampaio.
Com obras de pequena monta de consolidação e de aposição de uma guarda de segurança seria permitido vivenciar o circuito da muralha “por dentro” e sobre ela, em horário controlado, como em quase todas as cidades medievais europeias.
(Esta era uma ideia já prevista pela Arqª. Maria Manuel Oliveira aquando da requalificação do Toural e Alameda e, antes, aflorada num estudo prévio do Arq. Jorge Araújo);
Em horário controlado, qualquer visitante poderia circular no intradorso da muralha e sobre o seu adarve, num percurso total de 250m, proporcionando um miradouro sobre a cidade e, ao mesmo tempo, a fruição de um circuito que serviu durante séculos, “percebendo” a função da construção.
As entradas seriam duas:
- Uma a norte: por dentro do actual acesso automóvel e pedonal da C. M. de Guimarães, relocalizando (se necessário) a “casa-do-guarda”.
O acesso vertical ao adarve seria materializado, logo a seguir ao troço “pastiche” com porta, dos anos 20 do século passado, por uma escada metálica, amovível, de modo a ser lida como “intervenção” actual e desmontável a qualquer altura.
- Outra a sul: pela entrada do jardim do Museu Alberto Sampaio, a seguir à capela da Senhora da Guia.
O acesso vertical ao adarve seria materializado, numa zona de escada de pedra pertencendo à própria muralha, que seria guarnecida por uma “guarda/corrimão”, peça metálica amovível, de modo a ser lida como “intervenção” actual e desmontável a qualquer altura.
Circulação no adarve
Como protecção da circulação no adarve, propõe-se a colocação de uma “guarda”, em cerca de 230m de extensão, peça metálica amovível, de modo a ser lida como “intervenção” actual e desmontável a qualquer altura.
O desenho das peças metálicas - escada na zona norte, “guarda/corrimão” da escada da zona sul e “guarda” do adarve – propõe-se que seja feito pelo gabinete do centro histórico em diálogo com o IGESPAR.
Propõe-se uma faixa de 2 a 3 metros, junto ao intradorso da muralha que seria tratada como jardim ou gravilha e seria, caso necessário, colocada uma vedação, para que os visitantes não invadissem os terrenos confinantes (C. M. de Guimarães, Colegiada da Oliveira e Museu Alberto Sampaio).
Seria necessário articular os referidos proprietários dos terrenos confinantes e o IGESPAR de modo a devolver a fruição da muralha aos vimaranenses e visitantes.
Prevêem-se, igualmente, obras de pequena monta para consolidação da zona interior, adarve e escada da muralha existente.
- “Desenhar” no pavimento a implantação e nome das Torres
Já se fez isso com o nome das “portas” da cidade, mas há locais de implantação de torres que não continham porta (ver texto mais à frente), que não estão assinalados.
Podia colocar-se uma indicação no pavimento, por exemplo, na zona de implantação das ditas torres.
Falo, em primeiro instância, da Torre dos Cães (que estava implantada no pano da muralha que subsiste, a cerca de 150m para nordeste da Capela da Sra. da Guia) e da Torre Velha (que estava implantada a cerca de 25m a nascente das “escadinhas”). O assinalar da Torre dos Cães também podia (e devia) ser feito “por dentro”, no adarve.
Mas também falo da Torre da Alfândega (a única torre que não foi demolida).
A referência às torres permitiria “ler” muito melhor o que foi o sistema defensivo e perpetuaria a sua memória.
Propõe-se assinalar os locais de implantação de torres que não continham porta na sua própria estrutura (Torre dos Cães, Torre Velha e Torre da Alfândega).
Sugere-se uma indicação no pavimento, por exemplo, na zona de implantação das ditas torres.
Propõe-se, também, em segunda instância, assinalar os locais de implantação de torres que continham porta na sua própria estrutura (Torre da Sra. da Guia, Torre da Sra. da Piedade e Torre de São Bento).
A localização das portas destas três últimas torres, bem como da porta da Torre Velha (cerca de 20 metros a poente desta), está já assinalada em lajes de granito “desenhando” uma arremedo de torre e respectiva porta, com o nome gravado.
Ressalte-se, entretanto, que a porta da Torre de São Bento está assinalada cerca de 15m a nascente do seu verdadeiro local.
Quanto ao modo de assinalar a implantação das torres – gravação no pavimento, placa inserida neste ou outra solução – propõe-se que o seu desenho seja feito pelo gabinete do centro histórico em diálogo com o IGESPAR.
Apresenta-se, em anexo, um documento que desenvolve a proposta.